SOBRECARGA COGNITIVA, ESTRATÉGIAS E DISPOSITIVOS PARA O USO CONSCIENTE DA TECNOLOGIA
Abstract
Este artigo discute a sobrecarga cognitiva a partir da articulação entre os pilares do ESG (ambiental, social e governança) e as teorias da comunicação, especialmente no contexto da hiperconexão contemporânea. Parte-se da compreensão de que o ESG, originado no mercado financeiro, visa à perenidade empresarial por meio da gestão de riscos e impactos, incluindo os psicossociais. Nesse cenário, o pilar social (S) ganha destaque ao incorporar a saúde emocional dos trabalhadores como fator estratégico e de materialidade financeira, sobretudo após a atualização da NR-1, que passa a exigir das empresas a identificação, prevenção e mitigação de riscos como estresse, burnout e sobrecarga cognitiva. A sobrecarga cognitiva é analisada como resultado da exposição contínua a estímulos informacionais e do uso excessivo de tecnologias digitais, que favorecem práticas como multitarefa, procrastinação e consumo superficial de conteúdos. Esse contexto pode desencadear estados de congelamento funcional, evoluindo para apatia e, em casos mais graves, burnout. O texto argumenta que tais fenômenos não são apenas questões individuais, mas riscos corporativos com impactos econômicos relevantes, como presenteísmo e afastamentos. Com base nas contribuições de Marshall McLuhan, especialmente na ideia de que “o meio é a mensagem”, ressalta-se que as tecnologias são extensões do corpo humano que transformam padrões sociais, psicológicos e organizacionais, independentemente do conteúdo consumido. Assim, o desafio contemporâneo não reside na tecnologia em si, mas na forma como ela reorganiza o ambiente humano e interfere nos processos de atenção, produtividade e saúde mental. Por fim, propõem-se estratégias de uso consciente da tecnologia, como a delimitação de horários para conexão, monitoramento do tempo de tela, práticas matinais sem dispositivos digitais e fortalecimento de culturas organizacionais voltadas à restauração emocional das equipes. Defende-se uma responsabilidade compartilhada entre indivíduos e organizações para a construção de ambientes mais saudáveis, resilientes e sustentáveis, alinhados aos princípios do ESG.