RESPONSABILIDADE SOCIAL EM TEMPOS DE IA

  • Ronaldo Barbosa

Resumo

Este artigo discute a responsabilidade social em tempos de inteligência artificial, tomando como metáfora a obra Moby Dick, de Herman Melville, especialmente a advertência de Starbuck sobre a necessidade de “ter medo da baleia” como condição para enfrentá-la com realismo e preparo. A IA é apresentada como uma força transformadora comparável a um “dilúvio”, capaz de atingir indistintamente diferentes áreas profissionais e níveis de formação, superando limites antes considerados exclusivos da inteligência humana, como demonstram os marcos históricos do autômato Turco, do Deep Blue e do AlphaZero no xadrez. O texto argumenta que a IA não apenas utiliza conhecimento prévio, mas desenvolve aprendizagem autônoma e produz resultados originais, o que amplia os desafios éticos, sociais e educacionais contemporâneos. A partir das contribuições de autores como Jaron Lanier, Sherry Turkle, Jonathan Haidt, Douglas Rushkoff, Neil Postman e Yuval Harari, o artigo enfatiza a urgência de refletir sobre saúde mental, exploração de dados, vieses algorítmicos, datatismo, novas formas de solidão e a necessidade de contratos sociais renovados. Defende-se que as respostas aos desafios da IA não se encontram apenas no campo tecnológico, mas sobretudo nas ciências humanas, que oferecem instrumentos críticos para compreender impactos de longo prazo e revalorizar dimensões como empatia, criatividade, repertório cultural e formação ética. No campo educacional, propõe-se uma integração equilibrada entre tecnologia e humanismo, em que a IA seja utilizada como ferramenta de apoio, sem substituir a autonomia crítica e criativa dos estudantes. Conclui-se que “ter medo da baleia” significa reconhecer riscos, preparar-se para mudanças estruturais no trabalho e na formação profissional e assumir uma postura ativa diante das transformações em curso. A responsabilidade social, nesse contexto, consiste em promover um uso consciente, crítico e humanista da tecnologia, evitando tanto a indiferença quanto o determinismo tecnológico.

Publicado
2025-12-30
Seção
Artigos