O USO DE BANHEIROS PÚBLICOS PELAS PESSOAS TRANSGÊNERO E OS DESDOBRAMENTOS PARA A SAÚDE
Resumen
Apesar dos avanços garantidos por políticas públicas no Brasil em relação às pessoas transgênero, ainda não há uma lei específica que assegure o direito ao uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero autodeclarada das pessoas transgênero, transexuais e travestis. Partindo desde contexto, esta pesquisa objetivou compreender, a partir de uma revisão bibliográfica problematizadora, quais são os desdobramentos na saúde física e mental das pessoas transgênero, resultantes da sua relação com o uso de banheiros públicos. A pesquisa empregou metodologia qualitativa, do tipo exploratória e descritiva, com base na “metodologia para revisões de escopo” do Instituto Joanna Briggs. Conforme os resultados, foi possível identificar agravos em saúde física e mental, decorrentes da abertura ou restrição do uso de banheiros públicos por pessoas trans e/ou com variabilidade de gênero. Também foi possível confirmar a hipótese de que o preconceito, a discriminação e a exclusão de pessoas transgênero e/ou com variabilidade de gênero nos banheiros públicos estão na base dos agravos em saúde física e mental, seja pela evitação da circulação de seus corpos nestes espaços e consequente restrição do atendimento de suas necessidades biológicas de excreção, seja pela evitação do consumo de líquidos que proporcionam hidratação ideal para o próprio corpo, seja pelo sofrimento psicossocial resultante dos processos de exclusão.